São Carlos, São Paulo.
Há muito não apareço para expressar minhas parcas e superficiais impressões a respeito do cotidiano que vivo. Saio de meu retiro forçado e volto à web vida para tratar de um tema que, desde 25 de fevereiro, me consome de forma quase exclusiva: o “jornalismo” e sua prática diária.
Coloco entre aspas a palavra jornalismo porque, sinceramente, o que vejo (e até mesmo pratico) se distancia, e muito, do que considero ser o mínimo aceitável para a profissão.
Informações inventadas, interesse pessoal, busca por enriquecimento (utilizando a máquina pública), falta de ética e uma intensa disputa de egos, onde o mais importante é se sobressair em detrimento, inclusive, do emprego do outro.
Sim, é nesse meandro sujo e porco que está inserido o jornalismo local, principalmente o são-carlense. Um mundo de mentiras, onde dados são fornecidos (e até mesmo criados) à esmo; onde pessoas e situações são inventadas, como forma de escrever uma matéria; onde o interesse público é inexistente e o importante é diminuir o trabalho do “repórter/jornalista”; onde os bons profissionais são relegados à segundo plano, vendo pessoas descapacitadas, não profissionais e incompetentes obterem “sucesso”, financeiro e profissional.
Não venho aqui manifestar meu descontentamento por estar frustrado com minha “posição” nesse meio. Ou com meu contra-cheque no final do mês. Ou mesmo com inveja daqueles que, hierarquicamente, estão acima de mim.
Venho expressar meu descontentamento pela deturpação de algo que, no fundo, deveria ser o 4º Poder. Aquele pelo qual a população seria informada do que ocorre no mundo e, em contrapartida, poderia expressar sua opinião e descontentamento. O órgão fiscalizador do governo, da máquina pública, suas instituições e autarquias.
A profissão e atividade pelo qual o profissional deveria zelar, sempre, pela verdade, mesmo que mutável. Uma busca incessante pela correção, ética e moral, em todos os nichos da sociedade. O exercício de cidadania e benfeitoria, onde deveria haver a entrega do jornalista à batalha diária pelo bem-estar social, busca pela veracidade dos fatos e idoneidade.
Acredito, sim, na utopia descrita acima. Mas me contentaria, facilmente, se apenas a busca pela verdade (e aceitação de sua mutabilidade), feita de forma ética, fossem executadas. Se, pelo menos os profissionais da área, mantivessem uma postura aceitável e zelassem idoneidade do que foi passado. Se agissem de forma minimamente profissional.
Acredito que com apenas essa correção comportamental, muito do que é visto hoje, seria diferente. E o profissional da área seria visto com mais respeito. E a profissão sairia da sujeira onde está inserida. E o jornalismo deixaria de ser sinônimo de mentira, manipulação e inverdade.
Quem sabe, voltaria a ter o glamour de antigamente, onde o jornalista era respeitado (e temido) por aqueles que faziam do mundo um lugar pior e não por estar junto à essas pessoas.
Venho acessando site de notícias de São Carlos e região, e lendo jornais. Vejo anúncios excessivos de fofocas e notícias que não acrescentam nada na minha vida, e é difícil ver matérias de bons jornalistas que depois de ler, da vontade de procurar outra matéria escrita pelo mesmo.
O pouco que conheço pessoalmente e profissionalmente, tenho orgulho de dizer que conheço um bom jornalista, que ama a profissão, e, principalmente busca apenas a verdade.
Parabéns pela matéria, e pessoas como você, tentam devolver o respeito que todo bom jornalista deve ter.
Adorei a frase de Garcia Marquez do post anterior,
e sobre esse …bem…meu inconformismo é praticamente o mesmo….